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SETENTA ANOS DE HISTÓRIA AMEAÇADOS PELA FALTA DE PLANEJAMENTO

Fotos: José Nazal.

A comparação das imagens da pequena ermida de Nossa Senhora de Lourdes, no Outeiro de São Sebastião, expõe em menos de vinte anos a mudança drástica da plástica urbana de Ilhéus. A igrejinha, erguida em 1949 por iniciativa de Maria Catarina (Catita) Lavigne de Lemos, com projeto do engenheiro Francisco Lavigne de Lemos e execução do mestre Argileu Borges, guarda não apenas um simbolismo religioso, mas também a memória do lugar onde nasceu a cidade.

Hoje, já com mais de 70 anos, a edificação reúne condições para ser tombada como patrimônio histórico, o que garantiria maior proteção e visibilidade à sua importância cultural. No entanto, o entorno revela um cenário de descuido: a capela, que um dia dialogava com o horizonte e com o casario, agora parece sufocada pela verticalização desenfreada, que avança sem critérios sobre o coração histórico de Ilhéus.

Não se trata de condenar o crescimento da cidade, mas de questionar a ausência de planejamento e de sensibilidade para integrar o novo ao antigo. O resultado é uma perda irreparável na paisagem, um descompasso entre a memória que deveria ser preservada e a modernização que ignora raízes.

Se nada for feito, e se tem ainda como fazer, a Ermida de Lourdes corre o risco de ser apenas mais um monumento esquecido, ofuscado pelas sombras do concreto. Preservá-la é mais do que cuidar de pedras e cal: é assegurar que Ilhéus continue reconhecendo a si mesma naquilo que a fez nascer.