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LEO LINS É CONDENADO À PRISÃO POR FALAS PRECONCEITUOSAS

O humorista Leo Lins, conhecido por seu estilo ácido e controverso, foi condenado pela 3ª Vara Criminal Federal de São Paulo a oito anos e três meses de prisão em regime fechado. A sentença diz respeito a falas preconceituosas proferidas durante um show em 2022, que depois foi publicado em seu canal no YouTube e alcançou milhões de visualizações. A decisão também prevê o pagamento de uma multa de cerca de R$ 1,4 milhão e uma indenização de R$ 303,6 mil por danos morais coletivos.

O Ministério Público Federal (MPF), autor da denúncia, argumentou que o conteúdo do espetáculo incentivava discriminação e intolerância contra pessoas com deficiência, minorias religiosas, indígenas e outros grupos vulneráveis. Para o MPF, o caso ultrapassa os limites da liberdade de expressão e configura crime.

A defesa de Lins classificou a decisão como um “triste capítulo para a liberdade de expressão no Brasil” e anunciou que irá recorrer. Advogados do humorista comparam a pena a condenações por crimes como tráfico de drogas ou homicídio, e veem o julgamento como um grave precedente jurídico.

A condenação também mobilizou o meio artístico e político. Humoristas como Antonio Tabet e Thiago Ventura criticaram a sentença, argumentando que ela ameaça a liberdade artística no país. Tabet, por exemplo, afirmou que “prender alguém por piada é uma insanidade e um desserviço”.

Já em tom de crítica à Justiça, Leo Lins reagiu à condenação publicando imagens da deusa Themis — símbolo do Judiciário — ironizando a decisão com a legenda: “Ironia ou realidade? Arte ou crime?”. Políticos como o vereador Lucas Pavanato (PL) e o ex-presidenciável João Amoêdo também se posicionaram contra a sentença, alegando exagero judicial.

A repercussão do caso ecoou em Ilhéus, onde o humorista esteve recentemente. Conforme noticiou o Ilhéus 24h, Lins provocou polêmica ao divulgar um vídeo com críticas ácidas à cidade como parte da promoção do seu espetáculo. No material, ele fez piadas sobre problemas urbanos, transporte público, presença de ratos e até insinuações sobre os moradores e os políticos locais, o que gerou reações negativas por parte da população. O show “Enterrado Vivo” foi realizado no último dia 12 de abril, no Centro de Convenções de Ilhéus.