
Uma imagem registrada em 1997 por José Nazal relembra um período marcante da história do Porto de Ilhéus, quando o antigo Terminal da Brasilgás movimentava a economia local e fazia parte da rotina de milhares de moradores.
A Brasilgás chegou a Ilhéus há cerca de sessenta anos, sob a gestão do italiano Oscar Gianelli, casado com dona Dina, com quem teve um filho chamado Diego. A primeira base da empresa foi instalada em uma área em frente ao Terminal da Petrobrás, onde hoje funciona o Supermercado Itão. Ali ficava o espaço de estocagem e distribuição dos botijões.
Com o objetivo de incentivar a população a substituir o fogão a lenha pelo fogão a gás, a empresa alugou um ponto comercial na Rua Dom Pedro II, oferecendo fogões a preço simbólico na compra do botijão. A estratégia deu resultado e o uso do gás de cozinha passou a fazer parte do dia a dia dos lares ilheenses.
A distribuição nos bairros também marcou época. A cada quinze dias, caminhões circulavam pelas ruas tocando uma música considerada por muitos como irritante, mas facilmente reconhecida como sinal de que o gás havia chegado. Até então o produto era transportado por via terrestre, já engarrafado.
Com o passar dos anos, a estrutura da Brasilgás se modernizou. Grandes reservatórios, conhecidos popularmente como ampolas, foram instalados na área portuária, em frente ao Clube Social de Ilhéus. O gás chegava por navios que permaneciam fundeados fora do porto, conectados ao gasoduto marítimo. A operação funcionou até a implantação do gasoduto Cacimbas Catu, quando o terminal foi desativado e o engarrafamento passou a ser realizado em Itabuna.
Durante décadas de funcionamento, apenas um incidente grave marcou a história da empresa. Um caminhão que aguardava carregamento pegou fogo após o motorista utilizar um pequeno fogão para preparar sua refeição. As chamas foram tão intensas que danificaram o letreiro do Clube Social. O momento foi registrado em fotos por José Nazal.
A passagem da Brasilgás por Ilhéus também deixou marcas na memória da cidade. A família Gianelli, por exemplo, construiu a primeira casa do Loteamento Boa Vista, vendida anos depois, quando retornaram à Itália.
A foto aérea de 1997 resgata parte dessa história, mostrando não apenas a estrutura do antigo terminal, mas também um pedaço da vida cotidiana que marcou gerações de ilheenses. Informações de Jose Nazal.









