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TEATRO POPULAR DE ILHÉUS SE PREPARA PARA REFUNDAR O BRASIL COM O ESPETÁCULO “COMO PROVAR QUE A TERRA É REDONDA”

Depois de 4 anos de retrocesso sem precedente, é possível voltar a sonhar. Teremos de volta o Ministério da Cultura e mais, com uma mulher, negra, artista e engajada politicamente, na direção da pasta, a cantora e produtora cultural Margareth Menezes. Já anunciaram que teremos na cultura um orçamento recorde para o próximo ano. Isso à nível federal. Na Bahia seguimos acreditando que podemos avançar na implementação de políticas públicas cada vez mais eficazes e que levem em consideração o quão estratégica é a cultura.

Este 2022 foi um ano gigante para o Teatro Popular de Ilhéus. Estreamos o espetáculo Sonhos – o que restou de nós depois da tempestade, circulamos por 8 cidades do sertão baiano e encerramos a turnê em Irará, a convite da Secretaria de Cultura e da Prefeitura Municipal. Foi incrível fazer nosso espetáculo na terra de Tom Zé, que cedeu gentilmente suas músicas para a cena final: O sonho. Foi mesmo um sonho apresentar em frente à futura sede do TPI, no Pontal, emocionante para o público e para o elenco que vê cada vez mais próximo o sonho de ter um teatro, o mais moderno da América Latina.

E enquanto o teatro não é construído o grupo migrou para a Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), se aportou em dois ambientes, o Núcleo de Artes da UESC (NAU) e no Observatório Astronômico, ambos espaços importantes na trajetória do Teatro Popular de Ilhéus até aqui. Agora são sua sede provisória. De lá, o Teatro Popular de Ilhéus se prepara para refundar o Brasil com o espetáculo: Como provar que a Terra é redonda.

A montagem tem dramaturgia de Romualdo Lisboa, que também assina a direção junto com Luís Alonso-Aude. No elenco Tânia Barbosa, Márcia Mascarenhas, Aldenor Garcia e Pablo Lisboa realizam uma série de experimentações para comprovar, entre lágrimas e sorrisos (mais sorrisos do que lágrimas), que realmente a Terra é redonda.

De acordo com Romualdo, foi o espanto de se deparar com parte da sociedade brasileira se destacando pela falta de bom senso, pelo culto à ignorância, pelo mau-caratismo e desumanidade que motivou o grupo a provocar no público a vontade de redescobrir o conhecimento humano. “Para refundar o Brasil precisamos nos religar aos povos originários e reconhecer, questionando sempre, os avanços no campo da ciência e tecnologia que nos trouxeram até aqui”, afirma.

O espetáculo será falado na língua mãe de nossa região, o Tupinambá, e em LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais. Com coordenação pedagógica de Katu Tupinambá, o elenco tem estudado a língua indígena dos povos Tupinambá. O espetáculo será legendado em português.

Entre tantas coisas boas que aconteceram em 2022, temos uma decepção para compartilhar com o público. A partir da iniciativa da Vereadora Enilda Mendonça e dos Vereadores Fabrício Nascimento, Cláudio Magalhães e Sérgio do Amparo, o Teatro Popular de Ilhéus recebeu, para o ano de 2022, emendas parlamentares impositivas para apoiar a construção de sua nova sede. Os Vereadores destinaram parte de suas emendas para o orçamento da Secretaria Especial de Cultura, mas o ano findou e o recurso não foi pago. Mesmo com todo empenho das equipes da Secretaria da Casa Civil e Secretaria Especial de Cultura, não recebemos. Uma decepção que esperamos que seja reparada ainda no mês de janeiro, já que é possível o pagamento via DEA – Despesas do Exercício Anterior.

A expectativa agora é que possamos iniciar o quanto antes a construção do nosso teatro e seguir pesquisando, criando, produzindo e circulando pelo mundo. O amor venceu o ódio e a arte salvou o Brasil. Sigamos.

O Teatro Popular de Ilhéus é financiado parcialmente pelo Programa de Apoio a Ações Continuadas de Instituições Culturais, através do Fundo de Cultura da Bahia, Secretaria de Cultura, Secretaria da Fazenda, Governo do Estado da Bahia.